domingo, 8 de abril de 2012

Diálogo

 Quem és tu, Guerreira implacável?...
Incapaz de bons sentimentos,
Percorre em caminho infindável,
Destrói lares todo momento?...

_ Eu sou o sábio misterioso,
Posso chegar ao calvário;
Sou eco silencioso,
Acalento o homem ao sudário.

Quem és tu, Tortura risonha?...
Responsável por tanto pranto;
Corpo inerte, face medonha,
E sob sombra e luz faz seu canto?...

_ Sou o voo definitivo,
O mísero cativo,
Na busca da redenção...
Sou grande libertadora,
A glória sofredora,
Alma aprendiz da criação.

Quem és tu, Memória invisível?...
Presente no mortuário caixão...
Na tumba fria, o retrato terrível;
Do tormentoso abismo, o clarão?...

_ Sou a ventania profana,
Que em todo Universo emana
Vitória, luto, amargor...
O carcereiro maldito
Na existência do infinito,
Ampliando na aurora em fulgor.

Quem és tu, Tesouro perdido?...
Que está em vários lugares,
Aspira todos os ares
É em todas as classes temido?...

_ Sou o semblante materno,
O olhar brando paterno;
Cerro as vistas num adeus.
Triste esposo a despedir,
Ao ver sua mulher partir
Para a presença de Deus.

_ Sou filosofia, história, canção...

_ A Júlio César fui traição,
Para Nero fui solução,
A Cristo ressurreição.
Na Inquisição fui ofício,
Na fogueira fui um vício,
Para Hugo libertação.

Mas tu, Deusa celeste
De luz não se reveste?...
Nem só tristeza compraz...
Também harpeja paisagens,
Sobrepaira nas ramagens,
Profundo consolo traz?...

_ Sou o cipreste brilhante
A caminho viajante
Solitária prosseguir.
Sou o destino do heroi,
Que na ventura constroi
Os sonhos do porvir.

Então tu és aquela,
Que transborda sentimentos,
Fecunda nos humanos
Sinistros pensamentos?...

_ Do espírito sou procela,
No céu me torno estrela
E no inferno sou temor.
Para muitos sou problema,
Eternidade é meu lema,
Sigo-te seja onde for.

Me digas o teu nome,
O mistério me consome,
Prometo não dizer;
Teu nome não pronunciar
Porém, preciso saber
Pra tranqüila caminhar...

_ Vida, chamo-me Morte,
Sou aquela rima forte,
Que o poeta sonha ter.
De ti, sou pequena parte,
Juntas inspiramos arte,
Ao imerso azul percorrer.
 
_ Ignorei minha jornada
Para vir ao teu encontro;
Minha missão é terminada,
Para chegar ao teu trono.

_ De ti, sou vislumbre da criação;
Sou alma, de tua alma querida.
A ti, profunda gratidão,
Quero dizer: Amo-te Vida!...

Cidade Eterna


Roma soberba e orgulhosa
Águia de sangue impiedosa
Dominadora de destinos
Terra de etruscos, sabinos,
Gauleses, semnitas, latinos...
Ah! Lendária de Tito Lívio...
Grande por Rômulo em Eneida
Criação do sábio Virgílio.

Período de Roma – monarquia
No comércio, início de expansão
Porém, o orgulho transcorria
A cada dia nesta nação.

O Senado se consolidou
Sexto Tarquínio é destronado;
A República comandou,
O Nexum ali se instituiu
A liberdade se extinguiu,
Parte do povo escravizado.

Com predomínio de Assembleias
Decênviros redigiam leis
Seja Licínia ou Canuléia
Aos plebeus não foram fáceis.

Durante a expansão romana
Batalhas foram travadas,
Própria cidade ameaçada;
A revolta de Spartacus,
Último grande movimento;
Mas depois as lutas civis,
Unidos os irmãos Gracos
Era atração do momento.

Mário, da plebe foi defensor
E Silas, dos conservadores
Este foi um dos ditadores,
Matou fiéis de seu antecessor.

Dois novos líderes surgiam;
Júlio César se destacava,
Generais Pompeu e Crasso seguiam,
O Triunvirato formava
Sob os domínios romanos
Porém, não durou muitos anos.

Por Lépido e Marco Antônio,
Otávio e seu Mecenato,
No entanto foi desfeito
O Segundo Triunvirato.

Supremo Império perdurou,
Otávio Augusto conquistou;
Criou-se a Guarda Pretoriana.
A chamada “Pão e Circo” instaurou
Na civilização romana.
Em Belém, Jesus Cristo nasceu
E nova religião fundou;
Sua vida, o mundo conheceu.

Governo coube as dinastias,
Minando descontrole total;
Tibério, Calígula e Nero
Para Roma, foram o mal.

Trajano com habilidade,
Amenizou as dificuldades;
Sabedoria de Marco Aurélio
Abrange a cultura do Império;
Diocleciano fez a Tetrarquia,
Novamente a divisão surgia.

Constantino e o Edito de Milão
Dá liberdade ao culto cristão;
Teodósio, decadência enfrentou,
Bárbaras invasões culminou.

Cidade maravilhosa,
Autoritária e grandiosa;
Renomada sua arquitetura,
Famosa na literatura;
Transluziu momentos de glória,
Marcou épocas e vidas na História;
Ficou p’ra posteridade,
Ecoando na eternidade.

Livro é Vida

O Livro é vida, esplendor,
É drama, comédia... é amor
Que nos induz a sonhar;
Transpor nas atitudes
Cativantes virtudes,
Que as palavras podem dar.

As palavras dizem a nós
Que nunca estaremos sós,
Que Deus tudo provê;
No mundo nada se crea
E que possamos um dia
A natureza compreender.

No Livro da vida,
Se escreve a cada dia;
É composto onde for,
Na alegria e na tristeza,
Na dor pondo beleza;
Transpondo em paz e amor.

O Livro é uma plaga,
Em todo o mundo vaga;
É o templo da redenção.
Sol de ouro esquecido;
Pelo sábio é esculpido
Em sagrada criação.

Caminhai, avante Vida!
Tão terna, tão querida,
Como a pétala de uma flor;
Que perpassa nas folhagens,
Embeleza as paisagens
Com o perfume do amor.